Observo
a caixa de ébano entalhado, onde a noite expõe
suas relíquias... .
Vejo as nuvens migrarem,deslizando no tapete azul-marinho,
passando em bandos semitransparentes, vultos iridescentes
que camuflam a vastidão do céu escuro
...
Sob o reflexo amarelado das luzes que lavam as calçadas,
as árvores parecem esculturas douradas, sentinelas
imponentes
a resguardar o berço das pequeninas fadas que
se escondem
entre tufos de folhas .
Há um misterioso silêncio que lembra
a profundidade dos lagos
serenos cheios de encantos submersos ...
Passos distantes ressoam na rua deserta, denunciando
pressa.
Raríssimas janelas estão acesas, pois
é hora do sono
que embriaga os sentidos e carrega o espírito
para outras esferas.
Da varanda, aspiro o ar noturno com suas fragrâncias
deliciosas,
sinto a brisa fria arrepiar minha pele, mergulho nas
sombras
repletas dessa magia singular .
Minha alma está alerta, ávida por esses
sentimentos que o bôjo
da noite nos traz, ansiosa por ouvir os acordes preciosos
que
a mãos dos anjos dedilham suavemente, além
do horizonte,
entre as pregas do infinito, amparada nos braços
do tempo...
É madrugada !
Sinto que os meus sonhos alçam vôo,
minhas ilusões ganham asas,
enquanto vou desenhando a passarela cintilante
das minhas esperanças preferidas.
Uma vez mais, observo a caixa de ébano entalhado,
onde a noite expõe suas relíquias ...
Certamente é ali que, com todo cuidado,
vou colhendo a inspiração
que escreve as minhas poesias .
