Quando a noite invadir as janelas , escurecendo a paisagem lá fora,
quando as luzes derramarem seus véus dourados nas calçadas,
colorindo o asfalto com seus tons metálicos,
quando as vozes forem sumindo na madrugada
e o silêncio instalar-se entre as sombras das esquinas,
quando meus olhos lutarem contra o sono
e meus sentidos acusarem a tua ausência,
então, escutarei a tua voz falando em meus ouvidos,..
prometendo a ilusão de um novo tempo,
sussurrando alegrias em versos cheios de esperanças,
tateando sonhos em meu ventre,
esculpindo desejos em meu corpo ...
Sob as pálpebras cerradas,
verei teu sorriso a provocar minha resistência,
teu olhar a seduzir minha prudência,
tuas mãos conduzindo minhas emoções à revelia ...
Saberei que tudo foi apenas um momento breve,
que continuas nômade, cigano,passageiro, viajante,
eterno retirante destas terras distantes, sem destino,
herói imaginário de um infeliz menino
que teimas em aprisionar na solidão,
escravo de uma falsa liberdade.


06/02/04 - 12:39h

 

 

 


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