A
tarde desistiu de perseguir vestígios de sol,
acomodou tufos de nuvens sobre os quintais,
desenhou com giz de prata
a silhueta das montanhas no horizonte,
decidiu lavar o céu com sua lavanda preferida...
As gotas perfumadas escorreram pelas vidraças,
lavaram a imensidão como um camisolão acinzentado,
despertaram os aromas da terra e das ramagens,
exalaram buquês de flores pequeninas ...
Parecia que o dia incolor me descobria,
desnudava a minha alma na paisagem desbotada,
derramava meus sonhos com tal melancolia,
que os olhos da chuva
choraram minhas lágrimas ...
16/02/2005 -10:12h.
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